As crónicas do Lynx

Uma colecção de pequenas crónicas dedicadas a uma grande paixão de sempre: Viver essa maravilhosa aventura que é o dia-a-dia!

sábado, dezembro 22, 2007

Fazer de toupeira












Depressa. Muito depressa. Era assim que cortava a manhã fria de Domingo (1º!!), atravessando a Península de Setúbal. Rumo? Serra da Arrábida. Destino? Gruta do Médico.

Esta foi a terceira vez que vim à Gruta do Médico, uma cavidade com 3 salas que salas que se desenvolve por baixo da falésia que forma o limite norte da Mata do Solitário, junto à estrada do Portinho da Arrábida. Cada uma das 2 vezes anteriores foi um misto de aventura e de descoberta, e esta vez não ficou atrás de nenhuma das outras.



Cá fora

Percorrer esta gruta envolve uma actividade de espeleologia de nível 1, ou seja, não é necessário o recurso a cordas nem a especiais medidas de segurança. Apenas o capacete, o frontal (e, eventualmente, se não fossemos tantos com lanternas, uma outra suplente) e boa companhia capaz de nos dar o apoio necessário. Íamos também com mais 3 pessoas com conhecimentos bem mais vastos que os meus em espeleologia, capazes de nos dar o enquadramento histórico do local e, sobretudo, técnico do que deveríamos fazer.
Passar o estreito buraco inicial que dá início à gruta é entrar num novo Mundo. Um em que a sombra reina entre estreitas paredes de pedra, rasgadas apenas pelos leds dos frontais. Em que a progressão (e temos a sorte desta gruta ser já fóssil, ou seja, a sua formação já terminou, razão pela qual a água não abunda lá em baixo, o que nos proporciona um solo duro e consistente) tem que ser feita muitas vezes de gatas, outras deitado, espremendo-nos por um buraco estreito, com os pés permanentemente em busca de apoio. Para alguns, é o momento de perceberem que têm um medo profundo, irracional e implacável que lhs tolda o discernimento, impede a calma e os enche de um terror que grita "Quero ir para o Sol!". Quem sofre de claustrofobia rapidamente percebe se é ou não capaz de se controlar mas, o escuro, os tectos baixos e as paredes próximas costumam levar a melhor! Eu (que sofro de vertigens, e já chega!) estou nas minhas sete quintas!
E, esta gruta, que eu conheci via geocaching (está lá em baixo a cache "Six Feet Under", do PCardoso, uma das mais antigas e ainda das mais interessantes em Portugal) acaba por ter sobejos pontos de interesse entre estactites, estalagmites, colunas e obstáculos de progressão desafiantes (e que me permitiram conferir que, afinal, nem estou assim tão gordo), como a 'Nascer de Novo' e o 'Buraco da Agulha'.

Equilibrismo


Escuridão



A nascer outra vez



Já está! Já nasci!